História e Filosofia da Matemática

Matemática e Ensino da Matemática

 (07/08)

Horário: 4ª, 9h-11h (6.16), 11h-13h (6.05).

Descrição

A disciplina de História e Filosofia da Matemática (HFM) na UBI é uma disciplina na tradição analítica da filosofia que, grosso modo, se distingue por desejar expressar pensamentos de forma clara, rigorosa e logicamente disciplinada. Em particular, nesta disciplina estabelece-se um continuum entre a filosofia e a matemática/ciência onde episódios da história da matemática/ciência são usados como uma fonte de levantamento de problemas filosóficos.

Em HFM são analisadas questões como as seguintes. Qual é a natureza do conhecimento matemático? A matemática é redutível a princípios lógicos? As demonstrações matemáticas são todas igualmente válidas? Será a matemática uma mera manipulação de símbolos, sob determinadas regras, semelhante a um jogo? Será que existem objectos matemáticos abstractos ou, na verdade, alegados objectos matemáticos são meros objectos ficcionais das teorias matemáticas tal como o Pai Natal é um objecto ficcional das histórias infantis? A matemática é indispensável nas teorias empíricas?

Numa primeira parte da disciplina de HFM, analisam-se duas disputas: a disputa em torno da natureza do conhecimento geométrico e a disputa em torno dos fundamentos da matemática (segundo três posições principais – logicismo, intuicionismo e formalismo). A segunda parte da disciplina constitui-se numa análise de um potpourri de tópicos contemporâneos de filosofia da matemática (pós 2ª Guerra Mundial) como holismo, naturalismo, platonismo, nominalismo e indispensabilidade.

 

Programa

1. Conhecimento geométrico: platonismo, empirismo, sintético a priori (Kant), convencionalismo (Poincaré).

2. Fundamentos da matemática: logicismo (Grundlagen de Frege ), intuicionismo, formalismo (Hilbert).

3. Tópicos contemporâneos de filosofia da matemática: platonismo vs. nominalismo; holismo, naturalismo e compromisso ontológico (Quine); naturalismo matemático (Maddy); problema de Benacerraf; indispensabilidade.

 

Objectivos (no final do semestre o aluno deve ser capaz de)

Analisar criticamente problemas, concepções, teorias, teses, ideias e argumentos de HFM.

Expressar pensamento próprio de forma clara, rigorosa e argumentativamente disciplinada acerca de conteúdos de HFM.

 

Bibliografia

- Colyvan, M. (2001), “Indispensability Arguments in the Philosophy of Mathematics”, (Stanford Encyclopedia of Philosophy).

- Balaguer, M. (2001), “Platonism in Metaphysics”, (Stanford Encyclopedia of Philosophy).

- Frege, G. (1992), Os Fundamentos da Aritmética, (Lisboa: INCM).*

- George, A. & Velleman, D. (2002), Philosophies of Mathematics, (GB: Backwell), caps. 1, 2, 4.*

- Heck, R. (1999), “Teorema de Frege: uma Introdução”, in Zilhão (org.), Do Círculo de Viena à Filosofia Analítica Contemporânea, (Lisboa: Livros de Areia, 2007)

- Kant, I. (1994), Crítica da Razão Pura, (Lisboa: FCG), p. 36-49 e 61-70.

- Maddy, P. (2005), “Three Forms of Naturalism”, in Shapiro (org.), The Oxford Handbook of Philosophy of Mathematics and Logic, (NI: OUP, 2005), p. 437-459.

- Poincaré, H. (1968), A Ciência e a Hipótese, (Alfragide: Galeria Panorama), caps. 3, 4.

- Quine, W. (1975), “Cinco Marcos do Empirismo” in Quine, Filosofia e Linguagem, (Porto: Asa, 1995), p. 11-17.

- Quine, W. (1975), “Postulações e Realidade” in Quine, Filosofia e Linguagem, (Porto: Asa, 1995), p. 177-187.

- Resnik, M. (2005), “Quine and the Web of Belief”, in Shapiro (org.), The Oxford Handbook of Philosophy of Mathematics and Logic, (NI: OUP, 2005), p. 412-436.

- Shapiro, S. (2000), Thinking About Mathematics, (Nova Iorque: OUP).*

- Sklar, L. (1977), Space, Time and Spacetime, (LA: UCP), cap. 2 (sec.: A, B (1, 2), E, F, G e H).*

- Weiner, J. (2004), Frege Explained, (EUA: Open Court), caps. 2 e 4.

 

Bibliografia de apoio

Blackburn, S. (1997), Dicionário de Filosofia, (Lisboa: Gradiva).*

Branquinho, J. & Murcho, D. (2001), Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, (Lx: Gradiva).

Lecourt, D. (1999), Dictionnaire d’Histoire et Philosophie des Sciences, (Paris: PUF).*

 

* Disponível na biblioteca da UBI.

A restante bibliografia é cedida pelo docente no início do semestre.

 

Método de ensino

Os conteúdos programáticos serão leccionados da seguinte forma: exposição pelo docente; leitura de partes de textos da bibliografia; resolução de alguns exercícios práticos; discussão argumentativamente disciplinada; nas últimas aulas do semestre, os alunos apresentam uma versão final ou preparatória do trabalho escrito realizado durante o semestre.

 

Avaliação

1 ou 2 textos (1 página) + Trabalho escrito (e exposição oral) + teste escrito.

 

Trabalho escrito

Na generalidade, no trabalho escrito individual pretende-se que o aluno se familiarize com as técnicas de redacção de textos científicos através da análise e discussão de um tema específico do programa da cadeira.

A exposição oral dos trabalhos escritos é um meio de os alunos poderem discutir e melhorar o material.

 

Teste escrito

Teste

           

Atendimento

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Ligações

HFM (06/07)

HFM (05/06)

Stanford Encyclopedia of Philosophy

Provas de “Philosophy of Mathematics” da Universidade de Oxford.